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O Fio Invisível que vai Conectando: Da Vivência Simbólica à Consciência do Ser

"Imagem conceitual de raízes e luz representando a abordagem integrativa e sistêmica de Cida Medeiros."



O Fio que vai Conectando: Da Vivência Simbólica à Consciência do Ser

Por Cida Medeiros

Há um conceito na psicologia profunda, explorado por Edward Edinger em A Anatomia da Psique, que descreve a Coagulatio: o processo de dar corpo, estrutura e terra ao que antes era apenas vapor ou intuição. Olhando para a minha trajetória de mais de três décadas, percebo que vivi exatamente esse rito alquímico.

Minha caminhada não começou em bibliotecas, mas no campo — no sentir direto das dores que atravessam gerações e dos fios invisíveis que nos conectam. Honro profundamente o solo onde minhas primeiras raízes cresceram. A Paz Geia e a convivência com Carminha Levy foram o meu Temenos — o espaço sagrado onde o xamanismo e a vivência simbólica foram o útero da minha alma. Ali, aprendi que a vida é feita de símbolos e que o cuidado humano exige, antes de tudo, uma escuta sensível do invisível.

A Travessia pelo Silêncio

Muitos sentiram meu recolhimento nos últimos anos. Na jornada de Individuação, o silêncio não é ausência; é incubação. Vivi o que os alquimistas chamam de Nigredo — uma noite escura necessária para retirar projeções e descobrir quem é a Cida quando as luzes dos palcos institucionais se apagam.

Neste período, dediquei-me à graduação em Psicologia. Para mim, esse estudo foi o meu processo de Coagulatio. Foi o momento de dar nome, contorno e fundamentação teórica ao que o meu coração já sentia no pulsar do tambor e na observação dos campos sistêmicos. Hoje, não abandono minha história; eu a integro. A Terapeuta Integrativa que sou nasce da união entre o mistério da alma e o rigor do cuidado com a existência.

Integrando Saberes: O Acompanhar de Jornadas

Minha prática não se resume a técnicas isoladas, mas a um modo de acompanhar processos e jornadas, tanto individuais quanto em grupo. É um olhar que reconhece a dignidade do destino de cada um e a força dos movimentos sistêmicos. Nesta nova fase, minha atuação se fundamenta em pilares que dialogam com a consciência contemporânea:

  • Vínculos e Ancestralidade: Compreender nossas raízes é entender como nossos modelos de apego e nossa história familiar moldam nossa presença no mundo.

  • Flexibilidade e Presença: Inspirada pela fenomenologia e pela busca de sentido, convido o outro a uma regulação emocional vivencial, onde a dor não é algo a ser extirpado, mas um portal para a autotransformação.

  • A Linguagem Simbólica: O Tarô e a Mandala Astrológica permanecem como ferramentas de suporte à minha percepção. Eles não são o fim em si mesmos, mas mapas que iluminam o campo simbólico, ajudando a traduzir o que a psique ainda não consegue dizer em palavras durante nossos encontros.

  • A Biologia da Alma: Como o corpo guarda as marcas de nossa história, o trabalho integrativo passa pelo despertar da presença corpórea e pelo resgate da confiança no próprio Eu Essencial.

O Convite para a Morada Própria

Individuar-se é ter a coragem de carregar seus próprios livros e habitar sua própria morada interna. Deixo a casa dos mestres para habitar o meu próprio lugar de fala — um território onde a experiência acumulada se tornou medicina.

Tudo o que realizo hoje nasce da minha metodologia autoral: Clinica da Alma e da Consciência: a Abordagem Integrativa e Sistêmica da Alma. É um caminho de consciência e reconexão, onde sigo acompanhando aqueles que buscam pacificar suas memórias e florescer em sua essência.

Sigo com a certeza de que a fonte agora jorra de dentro. Convido você a acompanhar essa nova fase, onde a vivência se transformou em consciência e o caminhar se tornou destino.



Quando o silêncio do outro arruma a nossa casa: uma jornada de cura



Quando o silêncio do outro arruma a nossa casa: uma jornada de cura

Você já sentiu que a vida parou? Que aquele encontro esperado não acontece, ou que um projeto parece travado num "quase"? Muitas vezes, o desassossego que sentimos diante do silêncio alheio é, na verdade, um chamado urgente da nossa própria alma pedindo ordem.

O encontro como espelho da alma

Na visão de Carl Jung, o outro funciona como um espelho. Frequentemente, projetamos nossas necessidades e sombras naqueles que cruzam nosso caminho. Quando uma relação parece "travada", não estamos apenas diante de um impasse externo, mas de um convite para a individuação.

Esse hiato, esse "não acontecer", nos obriga a sair do conforto e mergulhar no que Jung chamava de "Noite Escura da Alma". É no silêncio do outro que somos forçados a acender nossa própria lanterna e buscar a nossa luz essencial, integrando partes nossas que estavam esquecidas ou desordenadas.

Organizar o templo para o amor fluir

Muitas vezes, buscamos um novo vínculo, mas nossa "casa interna" ainda está ocupada por memórias e presenças do passado. Sob o olhar da Visão Sistêmica, o amor só floresce quando estamos realmente disponíveis.

Estar disponível significa ter dado um lugar de honra a todos os que vieram antes. Se há desordem na casa — ou exclusões no sistema familiar, como entes que não foram vistos ou honrados — o fluxo do presente fica bloqueado. Quando você decide, por exemplo, organizar um espaço físico ou incluir simbolicamente aqueles que foram esquecidos, você está enviando um comando ao seu inconsciente: "Agora há lugar para o novo". A desordem externa é apenas um reflexo da alma pedindo paz.

Sincronicidade: o acaso como destino

A neurociência e a espiritualidade se encontram em um ponto comum: a percepção. Às vezes, o "atraso" de um evento ou a confusão de um cronograma são manifestações de Sincronicidade.

Eventos que parecem casuais estão, muitas vezes, conectados por um sentido profundo. O "caos" do dia a dia é o instrumento que o Universo utiliza para nos colocar diante das situações e pessoas certas no tempo exato da nossa maturidade interna. Talvez o silêncio que você recebe hoje seja o tempo que você precisa para que a "mágica" da vida organize os bastidores para um encontro muito mais íntegro.

Um convite à presença

O amor e os vínculos saudáveis nascem da harmonia entre dois sistemas que aprenderam a se respeitar. Quando paramos de lutar contra a espera e passamos a habitar nossa presença corporal e segurança interna, algo muda no campo.

Se você sente que sua vida precisa desse movimento de organização e clareza, estou aqui para acompanhar sua travessia.


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O Labirinto das Projeções e o Despertar da Alma



O Labirinto das Projeções e o Despertar da Alma

Houve um tempo em que ela acreditava que amar era encontrar o espelho perfeito. Alguém que refletisse, sem distorções, os anseios que ela carregava no peito. No início, a paixão parecia um sol de meio-dia: ofuscante, absoluta e carregada de promessas. Mas, como ensina a psicologia profunda, onde a luz é mais forte, a Sombra é mais densa.

Com o tempo, o brilho daquele outro rosto começou a oscilar. Ela percebeu que não estava olhando para um homem, mas para um Arquétipo. Ela havia vestido o outro com o manto do seu próprio Animus, conferindo a ele o poder divino de completá-la. E, nesse teatro psíquico, o outro desapareceu sob o peso da sua expectativa.

O Complexo e o Emaranhamento

Ao mergulhar em suas próprias águas, ela descobriu que seus passos não eram tão livres quanto imaginava. Havia fios invisíveis que a ligavam ao seu Sistema de Origem. Ela percebeu que, muitas vezes, não era ela quem buscava o amor, mas a criança ferida de sua árvore genealógica, tentando repetir ou reparar dores de gerações anteriores.

O relacionamento, então, revelou-se seu maior mestre. Não era um porto seguro, mas um mar revolto que a obrigava a remar. Ela compreendeu que muitos dos seus conflitos eram complexos ativados: feridas antigas que, como gatilhos, disparavam reações automáticas, heranças de um passado sistêmico que ela ainda não havia "desemaranhado".

O Equilíbrio: Quando dois se tornam um, sem deixar de ser dois

A pergunta que ecoava em seu silêncio era: quando estamos prontos?

A resposta veio através da Alquimia. Duas pessoas só estão preparadas para o equilíbrio quando o vaso de cada uma está íntegro. Enquanto buscamos no outro o oxigênio para nossa asfixia emocional, o que criamos é simbiose, não amor.

O equilíbrio surge quando:

  1. A Projeção é Retirada: Você para de exigir que o outro seja o curador das suas dores.

  2. O Sistema é Honrado, mas Deixado: Você reconhece sua ancestralidade, mas dá um passo à frente, deixando de ser o "bode expiatório" ou o "salvador" da sua linhagem para ser apenas você.

  3. A Sombra é Integrada: Você aceita que o outro também tem escuridão, e que o amor real acontece no cinza da humanidade, não no branco da perfeição.

Ao olhar para a foto dele agora, ela não vê mais um deus, nem um vilão. Vê um par. Um outro ser humano que, assim como ela, carrega suas próprias bagagens. E, nesse deserto de ilusões, ela finalmente encontrou o solo fértil da realidade.


E você?

Ao ler essa jornada, olhe para as suas relações. O que você vê no outro é a essência dele ou um fragmento da sua própria história? Você caminha com suas próprias pernas ou está emaranhado em lealdades invisíveis ao seu sistema de origem?

O amor maduro não é um encontro de metades, mas a celebração de dois inteiros que decidem, conscientemente, compartilhar o caminho.


Inspirado nas obras:

  • O Mapa da Alma – Murray Stein (Introdução à Psicologia Junguiana).

  • A Prática da Psicoterapia – C.G. Jung (Sobre a Transferência e Projeção).

  • O Eu e o Inconsciente – C.G. Jung (Individuação e Animus).

  • A Ordem do Amor – Bert Hellinger (Visão Sistêmica e Emaranhamentos).

  • Caleidoscópio do Saber e Olhares que Curam e Olhares que Adoecem.