Bem Vindo ao Blog Cida Medeiros! Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros

Por que repetimos padrões que bloqueiam a vida?

 

Cida Medeiros, terapeuta, sorrindo à mesa, com o título:
 "Por que repetir padrões que bloqueiam sua vida?"

Por que repetimos padrões que bloqueiam a vida?

Você já teve a sensação de caminhar com leveza e, de repente, perceber que o chão firme sumiu? É como pisar em terreno movediço: quanto mais você se debate sozinho, mais sente o peso puxando para baixo. A direção fica encoberta e você já não sabe se seus pés tocam a terra.

Se você está nesse momento, respire fundo. Este não é o fim do caminho. Pode ser o instante de pedir uma pausa, acolhimento e um novo mapa.

O que são padrões que bloqueiam a vida?

Muitas vezes, aquilo que chamamos de “falta de sorte” ou “dificuldade que se repete” tem raízes em padrões que aprendemos, quase sem perceber, dentro da família: crenças, papéis e lealdades silenciosas passadas de geração em geral. Isso não explica tudo. Há dificuldades reais, financeiras, de saúde ou de contexto, que não são “culpa” de ninguém. Mas, quando uma mesma história se repete com rostos diferentes, vale olhar com mais atenção.

Veja um exemplo ilustrativo, que não corresponde a nenhuma pessoa real: uma mulher que se separa de alguém que ama, e que também a ama, e não consegue explicar por quê. Ao olhar com calma, percebe que sempre se coloca por último nos vínculos, como viu sua mãe fazer a vida toda. O que parecia uma questão do casal era, em parte, um padrão muito mais antigo.

Esses nós costumam aparecer assim:

  • Papéis que não são nossos: assumimos o lugar de cuidador, mediador ou “forte” e perdemos o próprio lugar.

  • Cansaço de cuidar: pais e mães sobrecarregados que precisam de um espaço de escuta para voltar a cuidar.

  • Fins de ciclo: separações, perdas e mudanças que chegam sem ferramentas para lidar com o vazio.

  • Distância de si: esquecemos o que sentimos, o que valorizamos e quem somos.

O Eu Observador: um primeiro passo que você pode dar agora

Em mais de 30 anos acompanhando pessoas, aprendi que mudar não é lutar contra o que sentimos, e sim criar espaço. A isso chamo de Eu Observador: a capacidade de perceber o que se passa em você sem ser engolido por isso.

Experimente agora, por dois minutos:

  1. Sente-se e solte os ombros. Respire devagar três vezes.

  2. Nomeie o que está sentindo: “Estou sentindo ansiedade” ou “Estou sentindo tristeza”.

  3. Acrescente: “E existe alguém em mim que está observando isso.”

  4. Perceba onde essa emoção mora no corpo. Peito? Garganta? Barriga? Apenas observe, sem tentar mudar.

  5. Pergunte: “O que isso precisa que eu saiba?” e fique alguns instantes em silêncio.

Perceber a diferença entre ser a angústia e observar a angústia já devolve um pouco de espaço. Esse é o começo de tudo.

Como funciona a Jornada de 10 encontros?

Meu trabalho integra o olhar sistêmico e as dimensões cognitiva, corporal, energética e espiritual. A jornada acontece em quatro movimentos:

  1. Dar nome ao invisível (encontros 1 a 3): identificar os papéis, as lealdades e os padrões familiares que se repetem.

  2. Ampliar a relação com mente e emoções (encontros 4 a 5): práticas para não ser arrastado por pensamentos e emoções intensas.

  3. Acolher o corpo (encontros 6 a 7): práticas corporais e de presença para reconhecer o que o corpo sinaliza.

  4. Voltar aos valores essenciais (encontros 8 a 10): rever o lugar que você ocupa nas relações e escolher com consciência para onde caminhar.

Duração de cada encontro: 1 hora, online, frequência semanal ou quinzenal.

Um convite

Pedir apoio quando o caminho ficou nebuloso é um gesto de respeito pela sua história. Você não precisa carregar esse peso sem companhia.

Este trabalho é um acompanhamento de autoconhecimento e não substitui atendimento psicológico, psiquiátrico ou médico. Se você está em sofrimento intenso ou em risco, procure ajuda imediata: CVV 188 (24h), CAPS ou UPA mais próximos.

Apesar de ser graduada em psicologia em dez de 2025, ainda não tirei meu CRP porque estou integrando todos os meus conhecimentos em uma metodologia própria e preciso desse espaço para essa criação, logo estou atendendo como Terapeuta Integrativa e sistêmica, sem formulação de caso clinico e atendimento clinico.

💬 Este texto tocou algum momento seu? Compartilhe nos comentários. Sua partilha é acolhida com respeito.

🌿 Siga meu perfil no Instagram para reflexões e exercícios de centramento.

📩 Quer conhecer a Jornada de 10 Encontros? Fale comigo pelo WhatsApp ou Direct.


Cida Medeiros

Facilitadora Sistêmica e de Processos de Autoconhecimento

Veja mais sobre mim aqui

Agendamento

Outras Postagens Interessante

- Sobre o Tempo

- Além do Fardo

- Porque o corpo não relaxa?

- O Pai que te habita


padrões que bloqueiam a vida, eu observador, repetir padrões, padrões familiares, olhar sistêmico, autoconhecimento, exercício de autoconhecimento, jornada de autoconhecimento, relacionamentos, presença

Bert Hellinger e o tempo: quando parece que ele parou

Uma ampulheta clássica com areia fluindo suavemente sobre madeira rústica, banhada por luz natural acolhedora.
 

Bert Hellinger e o tempo: quando parece que ele parou

Por Cida Medeiros, terapeuta sistêmica, holística, transpessoal e facilitadora de constelações familiares

Quando o tempo passa pela janela

Segundo Bert Hellinger, o tempo nunca para: quem para somos nós. Ainda assim, há períodos da vida em que parece que o tempo parou. Vemos o tempo passar pela janela, como quem olha a rua de dentro de casa, enquanto por dentro nada se move. Eu já vivi isso. E aprendi que nenhum nível de preparo interno nos poupa desses momentos.

Foi nesses períodos que voltei várias vezes a um texto curto de Bert Hellinger sobre o tempo. Ele não consola, não promete e não aconselha. Descreve. E talvez por isso diga tanto.

O que Bert Hellinger ensinou sobre o tempo

Para Hellinger, o tempo flui e está sempre em movimento. Quando dizemos que ele parou, na verdade fomos nós que paramos, enquanto o tempo continua fugindo de nós. Só há tempo onde algo se move, e só o medimos através de algo que se move.

Cada coisa tem, no tempo, o seu próprio tempo: começa e termina a seu tempo, enquanto o tempo continua a correr. E há um momento certo para cada coisa. Ele escreve:

"No tempo, tudo tem o seu momento certo, o que acontece antes dele, acontece no momento errado."

Passado o momento certo, diz ele, o tempo foi desperdiçado: não há como recuperá-lo. É uma constatação sóbria, quase severa.

Mas o texto não termina aí. Hellinger acrescenta que parece haver algo antes do tempo e além dele, algo que dura sem tempo e que se opõe a ele. Nós o pressentimos sem captá-lo, somos carregados por ele no tempo e voltamos a afundar nele depois do tempo. Note o "parece": ele fala como quem pressente, não como quem afirma.

Estar com Hellinger: o tempo dos seminários

Tive a oportunidade de estar com Bert Hellinger, cara a cara, em seminários, desde 2012 até a última vez em que ele veio ao Brasil, e também uma vez na Alemanha. Pude acompanhar de perto os movimentos que ele conduzia e fazer-lhe perguntas pessoais.

Naquela época eu era facilitadora de constelações familiares e vivia o trabalho intensamente. Tinha muitos grupos, recebia convites de colegas para conduzir vivências, tinha clientes em vários lugares do Brasil e fora dele. Lembro de uma brasileira que morava em Viena e preferiu fazer o atendimento comigo. Isso foi especial para mim. Eu mantinha um espaço em Moema, atuava no espaço do Itaim, e ia pontualmente aos grupos de colegas para conduzir as vivências. Foi um período muito rico de significado.

O tempo como solvente

Tudo isso foi silenciando com o tempo, principalmente depois da pandemia. Decidi concluir a graduação em psicologia, que ainda tinha dois anos pela frente, e me dediquei a fundo a compreender o olhar da psicologia. Isso mudou tudo.

Às vezes penso que o tempo agiu como um solvente universal: tudo o que eu fui, fiz e vivi foi se dissolvendo. A antiga forma já não cabe mais. A nova está, por assim dizer, num útero misterioso: não sei o que está sendo gestado, nem quando vai nascer, nem se vai nascer. O que posso fazer é cuidar desse momento da melhor maneira possível e, quando cabe, usar o que aprendi para desatar nós e ter mais clareza sobre o próximo passo.

Há também algo novo nesse tempo presente: uma vontade de aproveitar coisas simples que eu não fazia antes. A rede na sala. Um filme com pipoca à noite. Algo impensável na época em que tudo era trabalho, estudo, treinamento e supervisão.

O trem e a estação

Imagino a vida como um trem que segue viagem. Em determinada estação, o autor principal desce do vagão e toma a estrada que pertence ao mistério da vida, a morte. Nós permanecemos em nossa jornada. Hellinger faleceu em 2019, e o tempo em que estive presente nos seminários é um tempo que passou.

Essa imagem é minha, não dele. Mas ela dialoga com o fim do texto dele: somos carregados pelo tempo e depois voltamos a afundar nele.

Um tempo que carrega sentido

A seguir, uma leitura pessoal, que não é de Hellinger.

Para mim, a ideia de que existe um momento certo traz conforto e esperança. Hellinger não promete que o momento certo chegará. O que ele afirma é que o que vem antes acontece no momento errado. Mas é a partir dessa frase que consigo suportar a espera: se há um tempo certo, então não preciso forçar o que ainda não é hora.

Há também a percepção de que nem todo tempo é igual. Os gregos distinguiam chronos, o tempo que se mede no relógio, de kairos, o tempo oportuno, carregado de sentido. Existem fases em que vivemos o melhor, ou estamos fazendo algo que cria um sentido maior do que o tempo comum. Os anos ao lado de Hellinger foram, para mim, um tempo assim.

Se você sente que o tempo parou, talvez não seja o tempo que parou. Talvez seja uma pausa, uma estação, uma gestação. Pergunto a você: o que está se dissolvendo na sua vida neste momento?

Fonte

HELLINGER, Bert. Pensamentos a Caminho. Atman, 2005, Newton de Araújo Queiroz, 1° edição. Texto "O Tempo".

Sobre a autora: Cida Medeiros, Graduada em Psicologia e facilitadora de constelações familiares desde 2009. Acompanhou seminários de Bert Hellinger entre 2012 e sua última visita ao Brasil, e uma vez na Alemanha. Terapeuta Holística a mais de 30 anos.


Leia também:



Por Que Repetimos os Mesmos Erros?

 

Foto conceptual em luz dourada mostrando mãos maduras sobre uma mesa de madeira. Uma mão segura um cubo de madeira, enquanto a outra aponta para um fio de lã emaranhado que forma um caminho sinuoso. A imagem simboliza a dificuldade de mudar padrões repetitivos. Foco suave no emaranhado e nas mãos.

Por Que Repetimos os Mesmos Erros? O Cérebro, a Alma e a Difícil Arte de Mudar


Você já teve a sensação frustrante de olhar para trás e se perguntar: "Por que eu fiz isso de novo?" Parece um roteiro repetido. Escolhemos a mesma dinâmica de relacionamento que nos fere, caímos nos mesmos hábitos que drenam nossa energia ou sabotamos aquela oportunidade que tanto queríamos. Ficamos com a nítida impressão de que estamos nadando contra a maré, gastando forças preciosas apenas para nos mantermos no mesmo lugar.

Se você já se culpou por parecer "resistente à mudança", respire fundo. Essa sensação de estar preso em um loop não é falta de força de vontade. É o resultado de uma engrenagem complexa que une a biologia do nosso cérebro, as memórias guardadas em nosso corpo e as leis invisíveis que regem nossa história familiar e emocional.

1. O Pilotar Automático: Quando a Sobrevivência Vence a Vontade

Para entender por que é tão difícil mudar, precisamos olhar para dentro da nossa própria biologia. O cérebro humano foi moldado primariamente para a sobrevivência, e não para a felicidade plena. Para economizar energia vital, ele adora Atalhos. Quando repetimos um comportamento — seja ele saudável ou destrutivo —, criamos verdadeiras autoestradas neuronais.

Mudar significa abrir uma trilha nova na mata fechada: exige esforço, atenção e muita energia. É por isso que, diante de um estresse, o cérebro recorre imediatamente ao conhecido, mesmo que o conhecido seja doloroso.

Conceito-chave: Neuroplasticidade e eficiência energética. O cérebro prefere a dor familiar à incerteza do desconhecido, interpretando o novo quase como uma ameaça à integridade física.

Na prática do meu trabalho, vejo isso todos os dias. Pessoas exaustas que continuam assumindo responsabilidades excessivas não porque querem sofrer, mas porque o cérebro aprendeu que a utilidade é o único caminho seguro para merecer afeto. Romper com esse padrão aciona um alarme interno de perigo que faz o corpo inteiro querer voltar atrás.

2. Lealdades Invisíveis: O Que a Alma Tenta Dizer Através dos Erros

Mas a neurociência explica o como, não o porquê profundo de certas escolhas que parecem desafiar a lógica. Sob uma ótica sistêmica e transdisciplinar, muitas das nossas chamadas "escolhas estúpidas" são, na verdade, tentativas desesperadas de pertencimento.

Muitas vezes repetimos padrões de escassez, de relacionamentos abusivos ou de autoanulação porque, inconscientemente, estamos leais a destinos de pessoas do nosso clã familiar. É como se a alma dissesse: "Se eles sofreram assim, eu também sofrerei para pertencer a esta família".

Quando tomamos decisões que parecem ir contra o nosso próprio bem-estar, costuma haver uma força amorosa (porém cega) operando nos bastidores. Não é burrice; é um movimento arcaico de conexão. Enquanto não iluminamos esses emaranhados, continuamos repetindo o passado sob o disfarce de escolhas do presente.

3. A Travessia: Como Encontrar a Saída Sem Violência Interna

A grande virada de chave acontece quando paramos de nos tratar como inimigos a serem combatidos e passamos a nos olhar com curiosidade compassiva. A mudança real não nasce da autocrítica feroz, mas da expansão da nossa capacidade de sustentar o desconforto.

Conceito-chave: Tolerância à incerteza e regulação emocional. Mudar exige aprender a habitar o vazio que surge quando abandonamos um velho padrão antes que o novo hábito tenha se consolidado.

Quando a vontade de repetir o erro surgir, experimente pausar. Não lute contra o impulso; apenas observe-o. Diga a si mesmo: "Eu entendo que você quer me proteger com esse caminho antigo, mas agora nós podemos escolher diferente".

A transformação não acontece de uma hora para a outra. Ela se constrói naqueles pequenos segundos de lucidez em que, em vez de reagir no automático, você consegue respirar, acolher sua dor e dar um passo mínimo em direção ao que realmente nutre a sua vida.

Conclusão

Fazer escolhas que parecem ir contra a maré ou repetir padrões dolorosos não atesta fraqueza moral. É apenas o reflexo de um cérebro buscando segurança e de uma alma tentando encontrar o seu lugar no mundo. A boa notícia é que, embora o caminho seja exigente, a neuroplasticidade nos garante que novas rotas podem ser construídas a qualquer momento da vida. A mudança deixa de ser um peso insuportável e passa a ser um ato diário de reencontro consigo mesmo.

Qual foi o padrão ou comportamento recente que você percebeu estar repetindo e que gostaria de começar a olhar com mais compaixão? Compartilhe nos comentários, sua partilha pode ecoar na dor de alguém que está lendo este texto agora.

Continue sua jornada de autoconhecimento explorando nosso artigo sobre como acolher a exaustão mental invisível no dia a dia. Gosta do nosso conteúdo e quer ajudar a manter este espaço de acolhimento vivo e acessível? Você pode apoiar o blog compartilhando este texto com alguém querido ou deixando sua reflexão nos comentários.


Palavras-chave: repetição de padrões, neurociência da mudança, visão sistêmica, autossabotagem, regulação emocional, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal, dor emocional, psicologia da alma, transdisciplinaridade.